My Diary

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Por que é que pensamos que só os outros tem histórias incríveis para contar?

Eu comecei a costurar por hobby nos meus tempos livres, para falar verdade, sempre quis aprender a coser. Era uma daquelas “paixões” de miúda que tinha como objectivo, fazer as roupas das minha bonecas. Mas não tive sucesso!

Quando fui de férias a Moçambique, em Abril de 2017, ofereceram-me muitas capulanas (é como chamamos o pano/tecido africano em Moçambique), recebi capulanas das minhas tias, da minha mãe, da minha avô e da minha bizavô… a minha querida bizavô (que na altura ainda estava viva, e veio a falecer a 11 de julho de 2018).

As minhas férias terminaram e eu, voltei para Holanda.  Continuei normalmente com a minha vida, mas sempre com a ideia de que tinha lá as minhas capulanas (toda contente) e que qualquer dia se calhar mandava fazer algo… um vestido ou uma saia. Sei lá!! Com a correria do dia-a-dia, fui deixando de lado a vontade de fazer o tal vestido ou a saia que queria, e simplesmente esqueci-me delas (das capulanas), pois já nem fazia ideia aonde poderiam estar. Quando num belo dia, a fazer a limpeza do guarda-roupa, encontrei as minhas capulanas e pensei, agora sim, eu faço algo!

Não sabia mesmo o que fazer com elas, mas tinha muita vontade de fazer algo. Sabe, quando moramos fora do país, damos muito mais valor as coisas da terra, e foi aí que a ideia surgiu…

Decidi fazer turbantes, e decidi também que eu mesma iria fazer, assim mesmo, sem técnica de costura  e sem conhecimento nenhum. Primeiro, porque adoro usar turbante. Segundo, porque era a única coisa que talvez conseguisse fazer com tecido. Tentar, nunca fez mal a ninguém e de facto, eu não tinha nada a perder!

Peguei na agulha e na linha, cortei a capulana e comecei a coser. Não estava nem um pouco preocupada com o resultado, porque estava a coser para mim mesma, a minha única preocupação, era de ter cuidado com a agulha, para que não me picasse. Deixei-me levar pela costura, que também era uma maneira de meditar e de me concentrar. Eu estava a adorar a experiência, e sempre que tinha um tempo livre voltava a pegar na agulha e na linha e fazia mais um turbante.

Quando fui vêr quantos turbantes eu já tinha feito, não acreditei!! Eu tinha feito quinze turbantes… tomei um susto (literalmente) hahaha. E mesmo adorando turbantes, quinze já era demais! As vezes queremos tanto uma coisa e assim que conseguimos, parece que perde todo o valor!

Para mim, os turbantes eram lindos (mas eu não podia avaliar o meu próprio trabalho), as pessoas mais próximas diziam que gostavam, umas até diziam que adoravam, mas eu queria ouvir o feedback de pessoas que eu nunca tinha visto na vida e que se não gostassem,  seriam o mais sinceros possível. Decidi que iria vender alguns (turbantes) pela internet (naqueles sites que vendem tudo). Mesmo tendo a certeza que ninguém iria comprar os meus turbantes, por várias razões que passavam na minha cabeça, também tinha a certeza de que mesmo que não comprassem, para mim, já teria valido pela coragem.

Era a vida a tentar ensinar-me algo? Por que é que eu não fiquei satisfeita só pelo facto de conseguir ter feito os turbantes? Afinal, não era esse o meu objectivo? Por que é que eu precisava de saber qual era a opinião das outras pessoas, se eu já tinha a opinião da minha minha mãe e da minha irmã (minhas conselheiras) ??

Sinceramente, eu não sei responder estas pergunta…

E quando, de repente, para a minha surpresa, surge a minha primeira cliente! Ela disse que “gostou” muito do meu trabalho e que gostaria de comprar quatro turbantes. Se eu acreditei? Não. Claro que não!!

Se você leu a minha história até aqui, continua… que vem aí a melhor parte!

E depois, ela fez-me a pergunta que mudou completamente a minha forma de pensar e de encarar as adversidades da vida. E esta é a mensagem  dela:

Cara Nilza,

Eu vi o seu anúncio sobre: acessórios de cabelo – “capulana” (tecido Africano) – feito à mão.

Talvez seja uma pergunta maluca, mas você faz roupas para bebês (quatro calças) por encomenda?

Meus cumprimentos,

Larissa

O que você teria feito se estivesse no meu lugar?

Bem, não sei o que você faria, mas eu pensei… eu tenho três opções:

1– Responder que não tenho máquina de costura (que é verdade), logo não posso fazer a roupinha do bebê.

2– Responder que não sei fazer (e não estaria a mentir, porque nunca tinha feito uma roupinha de bebê).

3– Responder que só faço e vendo turbantes (porque é a única coisa que sei fazer mais ou menos com tecido).

E eu? Que nunca tinha costurado como deve ser nem as roupas das minhas bonecas, optei pela quarta opção que não está na lista, mas que foi a opção que eu decidi escolher!

Não sabia o que me estava a mover, a única certeza que tinha era que queria abraçar este projecto e dar tudo de mim. Mesmo não sabendo como iria fazer, eu não queria perder a oportunidade de desafiar a mim mesma.

E pensei… por que não tentar?

De seguida, enviei a resposta a Larissa, e disse que SIM, que iria fazer as roupinhas (as quatro calças) do bebê dela ! Claramente que a pergunta dela de maluca não tinha nada  e que a maluca com certeza era eu.

“Apenas diga sim e você descobrirá depois.”

Tina Fey

Três dias depois, enviei o primeiro pâr de calça para o bebê dela experimentar e um turbante para ela experimentar também. Ela disse que o turbante estava um pouco apertado e que as pernas das calças do bebê estavam um pouco apertadas também, mas eu nem acreditei que o problema era só esse! Quantas vezes vamos a modista ou a costureira, experimentar uma roupa, e pedimos para que ela aperte ou alargue? Muitas vezes…

Uma semanas depois, conclui o meu projecto e enviei a encomenda (3 calças para o bebê dela – de 6 meses e 4 turbantes para a  Larissa – a mãe)  à Larissa pelos correios. Estava tão nervosa, tão ansiosa e tão curiosa para saber o que é que ela achava do resultado, se o bebê servia as calças, se o tamanho estava bom etc etc. Afinal, era a minha primeira vez a coser roupas para um bebê de verdade.

E ela… adorou tudo!!! disse que tudo serviu perfeitamente, gostou do meu trabalho, do meu serviço rápido e  disse que até ficou com  lágrimas nos olhos.

Oh meu Deus! Depois desta lição de vida, eu decidi que…

” Eu quero ser tudo o que sou capaz de me tornar”

Katharine Mansfield

E que ninguém tem o direito de dizer quem eu posso ou não ser.

Dois dias se passaram, e ela encomendou mais coisas (pares de botinhas, babetes, mais calças (para o bebê) e mais turbantes (para ela). E ofereceu-se para que eles (ela e a família) sejam os modelos dos meus produtos.

Confesso que ainda estou em estado de choque!!!

Mas quer saber o que é que me fez aceitar?  Foi a vontade de  provar para mim mesma que  eu posso usar a minha criatividade, força de vontade e determinação, para fazer tudo, basta eu querer!

“Se você acreditar em si, já vai ser meio caminho andado. Explore todas as possibilidades que aparecerem ao longo da sua jornada e não deixe que os obstáculos lhe impeçam de voar e alcançar o que quer que você almeje na vida. ”

Nilza Monteiro

 Esta é a minha história…  🤗😊

E você? Qual é a sua história?

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Uma beijoka grande

😘