Quando o desespero tem um nome – Ciclone Idai: Beira-Moçambique

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Foto: ft.com (região centro de Moçambique)

Eu queria vir para aqui antes, para falar de Moçambique, e particularmente do Ciclone Idai que ocorreu na cidade da Beira, a cidade onde nasci e cresci, confesso que custou-me imenso escrever este post porque é inevitável falar da “minha cidade” sem envolver emoções… sem me lembrar da minha infância “BOA”, da minha primeira escola, e do tempo que o meu pai conseguia me fazer feliz só com um “sorvete”… Infelizmente a cidade que tenho na memória desapareceu, e, se calhar, nunca mais será a mesma! Foi mesmo por isso que precisei de tentar digerir esta notícia mesmo sabendo que se tratava de algo indigesto e não me restando alternativas, respirei fundo para ganhar coragem e forças para estar aqui agora a escrever algo sobre… apesar de parecer um pouco tarde!

⭕ Moçambique 🇲🇿

Beira é uma cidade Moçambicana, capital da Províncias de Sofala, conta com mais de 530mil habitantes. É uma cidade portuária do Canal de Moçambique (parte do oceano índico localizado entre a costa da Africa Oriental e Madagáscar), está localizada no centro do país, e tem a categoria de segunda maior cidade de Moçambique.

Moçambique-Beira

O Ciclone Idai atingiu a região centro de Moçambique (a 14 de Março), o Malawi e o Zimbabwe (a 16 de Março). Foi considerado um dos piores ciclones tropicais com tamanha dimensão a afectar parte de África no hemisfério sul até à data, alcançando o pico de intensidade com ventos máximos sustentados de 220km/h, classificado como “muito forte” (de categoria A) acompanhada também de muita chuva, que veio a causar estragos incalculáveis!

Segundo os dados oficiais do governo de Moçambique, mais de 602 pessoas morreram em Moçambique, 344 pessoas no Zimbabwe e 59 em Malawi e além disso há 1.522 feridos e 112.000 casas destruídas e inundadas.

Children in a makeshift shelter near Harare, Zimbabwe. Cyclone Idai has displaced thousands in southern Afric

Segundo as Nações Unidas, 1,85 milhões de pessoas precisam de assistência urgente. Perto de 131.000 pessoas foram desalojadas, e embora tenha sido reativado o fornecimento de água pública, a maior parte das comunidades  ainda não tem acesso a água potável e eletricidade. Mais de 715 hectares de terra (para o cultivo) foram destruídas. Fora da cidade de Beira ainda há muitas áreas isoladas com falta de assistência.

O segundo, da esquerda para direita: Plácido Baptista Monteiro Júnior (meu irmão)
World Food Programme – Naçoes Unidas

Neste momento qualquer ajuda será bem-vinda, Moçambique, Malawi e Zimbabwe precisam urgentemente da ajuda de todos“.

Campanha de vacinação

A situação crítica em Moçambique permanece, e com a falta de água potável aumentam os casos de doenças e contaminações.

Já foram confirmados 1.400 casos de cólera (a doença é propagada através da água e alimentos contaminados). A equipe dos Médicos Sem Fronteiras não medem esforços para prestar atendimento necessário aos pacientes na Beira e esperam um aumento de casos de outras doenças transmitidas pela água, como: da malária, infecções da pele e das vias respiratórias.

Já se sentia em Moçambique uma grande insegurança alimentar, e agora com o Ciclone Idai , este problema agravou-se ainda mais, sendo classificado pelo Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas como a emergência de mais alto nível.

A Organização das Nações Unidas (ONU) já começou , com o programa de vacinação oral contra a cólera nas regiões afectadas pelo Idai, prevendo a administração de 900 mil unidades.

“A desnutrição e a cólera estão interligadas”, disse Jamie McGoldrick, coordenador humanitário da ONU para o Iêmen, ao Washington Post. “Pessoas enfraquecidas e famintas são mais propensas a contrair cólera, porque a cólera tem maior probabilidade de florescer em lugares onde a

desnutrição existe”

Membros da World Food Programme (no meio da foto: Plácido Baptista Monteiro Júnior, meu irmão)

Segundo o INGC, o ciclone Idai provocou danos em 3.318 salas de aulas, com 150.854 alunos prejudicados, dados que se mantêm relativamente ao balanço anterior. Ciclone Idai destruiu 62 mil casas e ajudas não estão a chegar aos bairros pobres do interior da cidade da Beira.

Aqui abaixo deixo os nomes de algumas organizações que eu acredito serem capazes de fazer a diferença!!

Se doarmos todos um pouco, poderemos ajudar às vítimas do Ciclone Idai em Moçambique, Malawi e Zimbabwe.

Faça a sua doação aqui! 👇

RODE KRUIS

DOCTORS WITHOUT BORDERS

WORLD FOOD PROGAMME

UNICEF

Obrigada por ter ficado comigo até aqui!

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